dezembro, 2022

Sempre que for preciso

Por Anna Cláudia Passani Ferreira

Por que será que a chegada do final do ano nos traz reflexões? Será que somos levados a isso por força dos apelos emocionais que nos cercam e de tanto ouvirmos as pessoas falarem: “o final do ano me faz ficar mais pensativo”…?

Sem lição de moral ( quem sou eu?!), nem conselhos com sabor de autoajuda, muito menos torturas mentais. Não. Só resolvi escrever um pouquinho sobre, talvez levada pelo som do trenzinho que passou por aqui, na rua, como acontece em todos os anos, para lembrar que estamos bem pertinho do Natal e da virada do ano.  A verdade é que adoro esta época! Adoro o cheiro do Natal e as  lembranças que tenho, desde a infância. Acho mágico, inspirador… Nunca melancólico.  

Lembrei, agora, de um dos poemas do querido Miguel Jorge, escritor goiano, vivo, com quem, ainda, tenho o privilégio de saborear um café, sentados em seu lugar preferido, no shopping Bougainville. Vou transcrever um fragmento:

 

“Então é Natal! As artes sagradas das famílias,

Certamente belas,

E se for preciso mais algum brilho,

Tomem a harmonia do cristal.

 

-Também as mais ricas receitas, a exata medida

Das carnes, das frutas que se põem à mesa.

 

-E chamem a isso de engenho da pressa,

Da gorda , bem nutrida ganância.

E chamem a isso gaiolas convertidas em moradas,

Em moedas, os reis generosos com a marcante data.”

(Jorge, Miguel. Natal de poemas, p.59, 2017)

 

E, sobre as reflexões, para mim é pensar, automaticamente, nos caminhos percorridos e nos que ainda estão por vir. Nas tarefas com as quais nos comprometemos, se as finalizamos, e nas consequências das lutas que travamos, com alguns, pouquinhos, arrependimentos.  Ainda, existe uma sensação forte de que, se trabalhamos duro em função de um desejo, tudo pode se tornar possível. Será?  

Que  os caminhos a percorrer continuem, com seus prós e contras, afinal, estamos aqui, cada qual com suas alegrias, dores, angústias. Cada qual com seus desejos, alguns realizáveis, e outros…  Viver tão somente o que for possível.

E, assim, começar de novo, sempre que preciso,  para sonhar, mais uma vez, 

um novo ano…

 

*O trenzinho? Continua passando pela rua. Eu não consigo ver daqui, mas enxergo com as minhas lembranças mais mágicas e afetuosas!!!

 

Meu abraço!!!

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