junho, 2023

Opção viável e efetiva

Por Anna Cláudia Passani Ferreira

Desde os textos do mês anterior, decidi abordar a respeito dos muito importantes tratamentos “alternativos”, usados, concomitantemente, com práticas médicas convencionais, e referidas como medicina “complementar” ou integrativa. O 1º tratamento que escolhi  foi a Acupuntura, e, dando continuidade, a vez é da Homeopatia, cujo princípio fundamental é uma suposta “lei da natureza”, enunciada, originalmente, pelo alquimista Paracelso: similia similibus curantur (do latim: “semelhante… pelo semelhante se cura”), cujos estudos iniciaram o processo de transformação da alquimia em química moderna. 

Diferente da fitoterapia (com a qual é frequentemente confundida), a homeopatia é um tratamento que não envolve concentrações significativas de extratos de plantas, além de  seus produtos não passarem por testes clínicos antes de serem aprovados. Existem preparações homeopáticas de origem vegetal, animal, mineral e até baseadas em raios solares ou ondas sonoras. 

Uma terapia alternativa, a homeopatia atua com o objetivo de estimular o sistema imunológico e reequilibrar a energia vital dos pacientes. Criada por um médico alemão, Samuel Hahnemann, ela pode melhorar não só a doença em si, mas também os aspectos físico, mental, emocional e espiritual.

Dentro da medicina tradicional, a Alopatia neutraliza os sinais das doenças e age isoladamente sobre elas, enquanto a homeopatia estimula o organismo a combatê-la e entende o indivíduo como um todo. Por isso, o especialista homeopático busca conhecer toda a história de vida do paciente, seus hábitos alimentares, de atividade física, sono, funcionamento de seu intestino e de sua bexiga, considerando, também, suas reações a estímulos climáticos, ambientais, emocionais etc. Portanto, uma consulta com um homeopata costuma ser longa: ele fará muitas perguntas com a finalidade de entender melhor o paciente e, por meio dos remédios, trazer equilíbrio para o organismo.

Esse braço da terapia alternativa pode ser aplicado, especialmente, para o tratamento de alergias, bronquite, rinite, amigdalite, sinusite, infecções de ouvido, doenças ginecológicas, dermatológicas, gripes, infecções virais e bacterianas, além de atenuar os sintomas da tensão pré-menstrual. Também, é um bom aliado para combater depressão, ansiedade e insônia.

Para alguns quadros graves, como câncer, a terapia funciona como tratamento complementar, melhorando as reações adversas da quimioterapia e radioterapia, por exemplo. Além disso, costuma ser usada nas “crises” mais comuns da vida — entrada na puberdade, envelhecimento, menopausa etc. 

Dessa maneira, a homeopatia é baseada em quatro pilares: Lei dos semelhantes, Experimentação, Doses Infinitesiamis e Medicamento Únicos.

  • Em A Lei do Semelhantes, as mesmas substâncias capazes de desenvolver sintomas e doenças em pessoas saudáveis, também têm o poder de curá-las nos indivíduos doentes. É a mesma lógica de usar o veneno da cobra para curar alguém que foi picado pelo animal. 

* Hahnemann não criou essa lei, porém sistematizou-a e estabeleceu um método para sua utilização.

  • Experimentação – Hahnemann partiu do princípio de que qualquer tratamento homeopático deveria ser experimentado em pessoas saudáveis primeiro, para só depois serem usados em pessoas doentes, caso os estudos se mostrassem eficientes. Tais experimentos jamais poderiam ser feitos em animais, já que era impossível que relatassem efeitos colaterais e sintomas.
  • Infinitesiamis – As doses infinitesimais consistem em nada mais do que a alta diluição e dinamização de um determinado medicamento, cujo objetivo é apurar algumas de suas propriedades latentes. 
  • Remédio único –  A homeopatia atua na cura do ser como um todo por considerar que o ser humano é um só e cada remédio é feito para uma pessoa em cada fase da vida. Essa conduta está presente na homeopatia tradicional, ou unicista, não sendo unanimidade entre os homeopatas. Há aqueles que receitam mais de um medicamento por vez, fazendo uma combinação. São os que seguem a linha pluralista da homeopatia, cujos medicamentos são menos concentrados.

Para a homeopatia, todos são beneficiados, de crianças (boa aderência e resposta aos tratamentos) a idosos. Para os idosos, por exemplo, gotas de solução hidroalcoólica são uma boa opção, caso haja dificuldade de ingerir comprimidos, além de pessoas com diabetes (que não podem consumir sacarose) e pacientes com intolerância à lactose.

Assim, o tratamento homeopático pode trazer diversos benefícios para o nosso corpo e auxiliar no combate de diferentes doenças. Além de ser pouco agressivo ao nosso organismo, é um tratamento extremamente eficiente.

  • Não se esqueça de considerar que alopatia e homeopatia podem ser usadas em conjunto — desde que, claro, todos os medicamentos sejam prescritos por um médico, ressalva confirmada  pelo National Institute for Health and Care Excellence.

 

Aproveitem a leitura!!!

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Referências:

BARBOSA et al. Epidemiologia e Saúde, Brasil, 2003

ASSOCIAÇÃO MÉDICA HOMEOPÁTICA BRASILEIRA. O que é homeopatia? Disponível em: . Acesso em 28 jun. 2023.

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