março, 2023

Ela por elas

Por Anna Cláudia Passani Ferreira

Resolvi escrever sobre a MULHER para este mês. Confesso que é apenas uma coincidência, pois não me incomodo muito com o fato de março ser lembrado/comemorado como o mês DELA.  Claro que é fundamental o contexto histórico que a data carrega, mas… (este texto não é sobre isso).

Sem ranços, ou tentando ressignificá-los, resolvi ler sobre as Mulheres no Campo da Medicina. Quem são elas? Inúmeras e fundamentais para a ciência, para a sociedade… 

 

Vamos lá… Antes, para situar historicamente:

Você sabia que a primeira escola pública de nível superior do Estado a permitir, claramente, em seu regulamento, o ingresso de mulheres, foi a Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo? Instituída em 1912, em 1918, sua primeira turma graduou apenas duas mulheres, Delia Ferraz e Odette Nora, que se casaram com colegas de turma.

Alguns anos depois, em 1960, foi fundada a Associação Brasileira das Mulheres Médicas (ABMM), no Rio de Janeiro. Na relevante ocasião, estiveram à frente da iniciativa as doutoras Hilda Maip, Hildegard Stoltz e Maria Brasília Leme Lopes (RJ), Elisa Checchia de Noronha (PR) e Elsa Reggiani de Aguiar, Dorina Barbieri e Vicentine Spina Forjaz (SP). 

A história registra e relata, apesar das proibições, discriminação e preconceito,  o ideal das primeiras mulheres que ousaram desafiar tudo e levar adiante o sonho de se formarem médicas no Brasil. Assim aconteceu com a gaúcha  Rita Lobato Velho Lopes, que mesmo assistindo às aulas em lugar separado na sala de aula – inicialmente no Rio de Janeiro e depois na Bahia – tornou-se a primeira médica formada no Brasil, defendendo a tese “Paralelo entre os métodos preconizados na operação cesariana”, em 1887. Além de brilhante no exercício da Medicina, foi a primeira mulher eleita vereadora em Rio Pardo, em 1934, pouco depois das mulheres conquistarem o direito ao voto. Permaneceu na política apenas três anos, pois foi cassada pelo Estado Novo, durante a ditadura do presidente Getúlio Vargas. Nascida em 1866, ela foi a primeira mulher brasileira a receber um diploma.

Embora seja um campo predominantemente masculino, detecta-se, desde 2009, no Brasil, um número cada vez maior de mulheres ocupando esse espaço na Medicina, o que já é superior a de homens.

Portanto, Dra. Rita Lobato inaugura uma época de abertura para que as Mulheres pudessem, e podem, estar presentes e atuantes na sociedade. E, como escreve, lindamente, nossa poeta Adélia Prado:

“…

Minha tristeza não tem pedigree,
já a minha vontade de alegria,
sua raiz vai ao meu mil avô.
Vai ser coxo na vida, é maldição pra homem.

Mulher é desdobrável. Eu sou.” (Bagagem, p.9)

 

E, com esse tom poético, sinto vontade de dar destaque a algumas mulheres que deixaram o seu nome marcado na Ciência e na Saúde… 

 

Até já!

Acesse nossas pós-graduações

× Fale com nosso time pelo whatsapp