fevereiro, 2023

A Vida Escamoteando o Tempo

Por Anna Cláudia Passani Ferreira

Tenho pensado bastante na diferença entre ser idoso no Brasil de décadas atrás (as estatísticas mostram que não era fácil) e hoje.

Li, recentemente, uma pesquisa do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) que, em 1940, a população de 65 anos ou mais representava 2,4% do total. Já em 2019, o percentual passou para 9,5%, um indicativo de que os brasileiros estão vivendo por mais tempo. Atualmente, a expectativa de vida da população geral brasileira subiu para 77 anos, informou o IBGE, por relatório divulgado em novembro último.

Entre as décadas de 50, 60, 70, 80, era mais difícil se ter essa expectativa de vida, porque a medicina não era tão evoluída/desenvolvida, bem como a compreensão sobre o envelhecimento e sua valorização. Assim, como não havia uma série de medicamentos e tratamentos para os chamados idosos. Remédios contra a impotência, por exemplo o Sildenafila (viagra), não existiam, e só foi aprovado para utilização em 1998. Como, geralmente, os 70 anos eram a data limite para se viver, não havia compreensão para doenças, como Alzheimer, Parkinson, que eram muito mais raras. Com isso, não se tinha desenvolvimento tecnológico, medicamentos, exames de imagem, havendo, ainda, o entendimento de que o idoso, com suas queixas e desenvolvendo determinados comportamentos,  estava enlouquecendo. Além disso, os médicos não viam o cérebro enquanto funcionava, só podiam estudá-lo quando a pessoa morresse, nas autópsias…. Ótimo que, depois de muitos anos, pode-se ter uma expectativa de vida maior e melhor!!! É preciso considerar, também, mudanças no aspecto cultural , validando a certeza de que a velhice não é sinônimo de fim. 

Assim, hoje, o idoso se aposenta e tem a oportunidade de se reinventar, começar novos projetos, desfrutar mais. Portanto, esse aumento da expectativa de vida traz novos desafios, como o de se pensar em melhorias para saúde pública, a expansão da cobertura do SUS (Sistema Único de Saúde), qualidade de vida, produtos, serviços, trabalho… Também, é importante considerar  que ocorreram avanços em vacinação, procedimentos cirúrgicos, movimentos científicos, serviços de atendimento psicológico e pré-hospitalar, incluindo o serviço móvel (Samu). E, o que dizer a respeito das terapias que amenizam o curso de doenças, tornam as pessoas mais funcionais, e que há mais acesso à informação, capacitação, orientação, preparando melhor as famílias?

Bom, o que percebo e sinto é que em pleno século XXI, a ânsia para enganar, retardar a finitude não diminuiu. O que tem mudado é o fato de podermos contar com a ajuda poderosa e fundamental da Ciência, o que valida afirmar que a  busca por formas de retardar o envelhecimento representa um dos movimentos mais fascinantes da medicina. E, ainda que se esteja longe de retardar os efeitos do chamado relógio biológico, estamos mais perto disso, vivendo muito melhor: “a vida escamoteando o tempo”, como escreveu a poeta mineira, Adélia Prado.

Mas, e o que fazer, então, com mais disposição? 

Falarei sobre no próximo texto… 

Abraços!

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