outubro, 2022

A medicina e a palavra escrita sempre andaram juntas

Por Anna Cláudia Passani Ferreira

Foi no início do último agosto, que escrevi sobre a relação entre medicina e literatura, em Medicina e Narrativa(s) Literária(s). Na oportunidade,  afirmei, e continuo afirmando, que Medicina e Literatura partilham um território comum: ambas lidam com a condição humana, a dor, a doença, a morte, bem como a figura do médico, que têm sido temas de muitas e importantes obras literárias. Também, que a inter-relação entre Medicina e Literatura é um dos aspectos principais das chamadas Humanidades Médicas, que vêm sendo introduzidas nos currículos de várias escolas médicas.

E, você, claro, já se deu conta que a literatura, muitas vezes, se inspirou, se inspira na doença e na figura do médico para nos dar algumas obras magistrais. E, sabia, que muitos buscaram a profissão influenciados pelo trabalho dos escritores? Pois é!

Por isso, hoje, trago mais um fragmento de uma, das inúmeras obras literárias que tratam de temas relacionados ao universo da medicina,  O amor nos tempos do cólera, de García Márquez: as pragas servindo de cenário para uma belíssima obra de ficção. Adaptado para o cinema por Mike Newell, em 2007, com título homônimo, o livro é um romance de gênero realismo fantástico passado no século XIX, com cenário na América Latina e que trata de um triângulo amoroso que perdurou por mais de cinquenta anos. Aliás, obras importantes, assim, deveriam figurar no currículo médico.

Vamos lá…

 

“— Só Deus sabe quanto amei você.

Antes que Florentino Ariza lhe contasse que a tinha visto, sua mãe já o descobriria, porque ele perdeu a fala e o apetite e passava as noites em claro rolando na cama. Mas quando começou a esperar a resposta à sua primeira carta, sua ansiedade se complicou com caganeiras e vômitos verdes, perdeu o sentido da orientação e passou a sofrer desmaios repentinos, e a mãe se aterrorizou porque seu estado não se parecia com as desordens do amor e sim com os estragos do cólera. O padrinho de Florentino Ariza, antigo homeopata que tinha sido confidente de Trânsito Ariza desde seus tempos de amante oculta, se alarmou também à primeira vista com o estado do enfermo, porque tinha o pulso tênue, a respiração rascante e os suores pálidos dos moribundos. Mas o exame revelou que não tinha febre, nem dor em nenhuma parte, e a única coisa que sentia de concreto era uma necessidade urgente de morrer. Bastou ao médico um interrogatório insidioso, primeiro a ele e depois à mãe, para comprovar uma vez mais que os sintomas do amor são os mesmos do cólera. Receitou infusões de flores de tília para entreter os nervos e sugeriu uma mudança de ares para buscar consolo na distância, mas aquilo por que anelava Florentino Ariza era todo o contrário: gozar seu martírio”. ( 1985, p. 49)

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Espero que o fragmento tenha despertado em você o desejo de ler essa obra imperdível de Garcia Marques. Aproveito e deixo um link, para baixar o livro… Também, um trailer da adaptação, linda, para o cinema.

 

Link da Indicação

 

Que seus sentidos estejam aguçados!!! Aproveitem tudo!!!

Meu abraço!!!

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